É um fato que as pessoas têm cheiros diferentes. Elementos do dia a dia, perfumes, shampoos, comidas... tudo isso muda o cheiro de uma pessoa. Se ela dorme bem ou mal, se ela bebe, se ela toma café...
Algumas pessoas têm um cheiro criado, não original, de perfume, shampoo... tipo a Nicole. Mas não é uma coisa ruim, ela cheia aquele hidratante da Victoria’s Secret dela, não é nem o body splash. E ela tem um quê de bebida doce também... sei lá, junta hidratante com a quantidade de álcool que ela ingere...
A Thá cheira a livros. Definitivamente. Ela deixa as roupas perto dos livros dela, do ladinho, então ela fica cheirando papel, livro antigo, giz... de vez em quando caneta. E não é um cheiro ruim, não, é um cheiro....responsável, sabe?
Por mais que eu não queira lembrar, o Ícaro tem cheiro de calor e shampoo. O pescoço dele estava sempre muito, muito quente, então o cheiro do cabelo dele dava uma espalhada pela gola da camisa, do casaco. Ótimo lugar pra enfiar o nariz.
Meu pai é uma mistura... ele tem um cheiro de amaciante, um cheiro “antiguinho” do sofá da vovó e algum perfume por cima, normalmente algum da Calvin Klein.
Minha mãe.... acho que minha mãe tem um dos cheiros mais reconfortantes do mundo. Ela cheira a talco, a bucha de banho e um pouco de leite azedo. Na verdade, nem sei se é leite azedo, é mais pra leite de mãe sabe? Nem sei porque sinto esse cheiro, já que faz algum tempo que não sinto cheiro de leite materno (uns 23 anos, pra ser exata) mas, pra mim, é isso que parece.
E tem sempre aqueles cheiros que nos pegam de surpresa no meio da tarde e nos leval de volta pra 1993, no banheiro do clube, quando a gente usava Neutrox pra lavar o cabelo. Ou a ponta de um cobertor que carrega o cheiro do quarto que ficamos na Disney em 95. O cheiro da borracha em forma de sorvete que eu usava na primeira série, o cheiro da fumaça de festada minha primeira baladinha de aniversário em 97... O cheiro do hotel de Alto Paraíso, do hidratante da minha avó, da praia de Noronha, da minha paineira, dos meus cachorros (uma mistura muito agradável de bafo, lama, grama e resquícios de shampoo), da prova recém-impressa do Santa Cruz, o cheiro de algodão cru da aula de modelagem, Caran D’Ache...
Quando um cheiro é ruim, me incomoda profundamente (tipo o cheiro da Starbucks da Al. Campinas), eu não consigo respirar, fico chiliquenta e saio correndo em busca de um vento gelado na rua pra limpar o olfato. Mas quando é bom... eu posso me deixar levar pra qualquer lugar ou situação. É praticamente uma viagem no tempo.