Eu sempre me identifico com o “underdog”. Aquele que todos esperam que perca ou não consiga.
Não importa o quanto aquela pessoa seja boa, correta, simpática, educada, sempre tem alguém que não confia, que não acredita, que não se importa, que não faz questão.
Essas situações sempre me deixam mal. Mas mal mesmo, de não conseguir parar de pensar nisso.
Uma vez eu tava no shopping, almoçando. Do meu lado sentam um pai com a filha: ruiva de cachinhos, sardas e óculos de criança (sabe? Rosa de gatinho, mas de lentes de grau mesmo). Ela usava um vestidinho rosa, com uma sapatilha amarela. Meio bochechudinha. É o tipo de criança que a maioria dos adultos acha uma graça: ela conversa com o pai com a maior desenvoltura, animada, deve ter uns 8 anos.
Ela conta da festa que uma menina da sala dela vai dar. Que presente ela compra? A menina da festa é muito legal, tem roupas lindas. (onde eu já ouvi essa história antes?) Ela pergunta pro pai que roupa ela pode usar- o vestido de festa que eu usei no casamento? – se ele leva ela ou ela vai com a sala dela, direto da escola. Ela é amiga do pai, conta tudo, feliz que foi convidada pra festa.
No meu mundo, essa menina vai ser magoada. Ela vai ser a quatro-olhos gordinha e sardenta da série dela. As meninas legais de roupas lindas vão passar por cima dela enquanto ela chora pro pai. E ela vai se perguntar por quê, o que ela pode mudar. E ela não deveria mudar: ela é uma graça, super educada, fofa, se importa com a família, mais do que com as outras pessoas. Mas ela vai querer mudar por causa dessas pessoas.
E é isso que me deixa irada.
Eu já fui essa menina. Eu sei exatamente como ela vai se sentir. E não tem nada que eu possa fazer.
Essa menina de sapatilha amarela surgiu de novo na minha vida na pele do manobrista de terno amarelo mostarda e camisa azul marinho. A dona da loja não gostou dele de primeira, achou que ele cheirava álcool. Eu não senti nada.
Sempre foi “bom dia, boa tarde, bom apetite, boa noite, quer ajuda, te acompanho até o ponto de ônibus, te empresto 5 reais, não precisa pedir desculpa, imagina, quer que eu lave seu carro” comigo e com todo mundo, inclusive a dona.
E ela ainda não confia nele. O primeiro erro é considerado uma catástrofe. Uma barbaridade.
Isso foi hoje. O que virá de resultado, só amanhã. Mas hoje eu me lembro da menina de óculos cor de rosa de gatinho e da sapatilha amarela.
Não importa o quanto aquela pessoa seja boa, correta, simpática, educada, sempre tem alguém que não confia, que não acredita, que não se importa, que não faz questão.
Essas situações sempre me deixam mal. Mas mal mesmo, de não conseguir parar de pensar nisso.
Uma vez eu tava no shopping, almoçando. Do meu lado sentam um pai com a filha: ruiva de cachinhos, sardas e óculos de criança (sabe? Rosa de gatinho, mas de lentes de grau mesmo). Ela usava um vestidinho rosa, com uma sapatilha amarela. Meio bochechudinha. É o tipo de criança que a maioria dos adultos acha uma graça: ela conversa com o pai com a maior desenvoltura, animada, deve ter uns 8 anos.
Ela conta da festa que uma menina da sala dela vai dar. Que presente ela compra? A menina da festa é muito legal, tem roupas lindas. (onde eu já ouvi essa história antes?) Ela pergunta pro pai que roupa ela pode usar- o vestido de festa que eu usei no casamento? – se ele leva ela ou ela vai com a sala dela, direto da escola. Ela é amiga do pai, conta tudo, feliz que foi convidada pra festa.
No meu mundo, essa menina vai ser magoada. Ela vai ser a quatro-olhos gordinha e sardenta da série dela. As meninas legais de roupas lindas vão passar por cima dela enquanto ela chora pro pai. E ela vai se perguntar por quê, o que ela pode mudar. E ela não deveria mudar: ela é uma graça, super educada, fofa, se importa com a família, mais do que com as outras pessoas. Mas ela vai querer mudar por causa dessas pessoas.
E é isso que me deixa irada.
Eu já fui essa menina. Eu sei exatamente como ela vai se sentir. E não tem nada que eu possa fazer.
Essa menina de sapatilha amarela surgiu de novo na minha vida na pele do manobrista de terno amarelo mostarda e camisa azul marinho. A dona da loja não gostou dele de primeira, achou que ele cheirava álcool. Eu não senti nada.
Sempre foi “bom dia, boa tarde, bom apetite, boa noite, quer ajuda, te acompanho até o ponto de ônibus, te empresto 5 reais, não precisa pedir desculpa, imagina, quer que eu lave seu carro” comigo e com todo mundo, inclusive a dona.
E ela ainda não confia nele. O primeiro erro é considerado uma catástrofe. Uma barbaridade.
Isso foi hoje. O que virá de resultado, só amanhã. Mas hoje eu me lembro da menina de óculos cor de rosa de gatinho e da sapatilha amarela.
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