Se eu levasse tudo a sério, eu estava fudida.
Ontem
fui levar mamãe no Premio Caio, lá na Sala São Paulo. Saímos do trabalho
atrasada, pra variar um pouco, num trânsito dos infernos e numa puta chuva…
coisa de São Paulo mesmo.
O carro
me avisa graciosamente que estava na reserva de gasoline, com aquela luzinha
amarela que só falta me deixar cega no painel.
Depois de passar vários farois vermelhos, passar em
cima de algumas calçadas e de deixar mami no lugar certo, dei de cara com uma
placa “Bom Retiro”.
Ok,
ok, Bom Retiro eu conheço, passei 4 anos indo direto lá na época da faculdade.
Mentira, aparentemente eu ia pra oooutro lugar completamente, porque me perdi.
E fui parar na Rua dos Italianos, depois na Rua São Caetano, na Avenida do
Estado (?!), e tudo isso com aquela luzinha da reserva ali no painel, me
ameaçando, falando “oolha, aqui, eu vou desligar seu carro todo, hein?”.
Lá estava eu, sem um puto no bolso, numa baita chuva,
perdida no meio da Cracolândia com um carro prestes a desligar no meio da rua!
Pensei
“Pronto, morri! Mamãe, papai, eu amo vocês e estou prestes a ser abordada por
uma gangue que vai tirar o meu rim e vender para a Serra Leoa e eu vou acordar
numa banheira de gelo, com um cachorro raivoso olhando pra mim e vou tentar
fugir e vou morrer e depois ninguém vai me encontrar e eu vou morrer de novo.
Fudeu.”
Eis que, num micromini golpe de sorte, eu acho um
posto de gasolina bem xexelento, daqueles que você pede 10 reis de álcool e
eles colocam direto da garrafinha de Álcool Zulu. Bom, se eu não morrese no
meio da Cracolândia, ia ser ali. Mas o velhinho do caixa não tentou me levar
pros fundos e o frentista até que me passou uma cantada decente, então não
posso reclamar.
Óquei, carro não tava mais me ameaçando constantemente
com a sua luzinha-amarela-dos-infernos, mas ainda tinha um pequeno detalhe a
ser resolvido: se eu não soubesse em que direção eu tava andando, daqui a pouco
eu ia cruzar a fronteira da Tailândia.
Sabe qual o sinal de que você está muito, mas MUITO
longe de onde você pretendia ir em primeiro lugar? Quando você pergunta prum
taxista (cara que é OBRIGADO a conhecer essa cidade de cabo a rabo) como você
chega na maldita Consolação e ele te olha com cara de ET e fala “iiiiiiih, cê
tá longe…..”. Aí, minha filha, é porque você tá fudida mesmo, vai chegar em
casa 4 da manhã com cara de louca, descabelada e mais suada que porco em feira,
porque você é uma puta duma pão dura e colocou só
dez-reais-de-álcool-chinfrin-no-carro-da-sua-mãe.
Mas acho que, FINALMENTE, o meu senso de direção
inexistente resolveu dar uma passada pra dar um oi e ver como eu estava indo e
eu pensei “beleza, Mariana, vai em frente, direita aqui, esquerda ali,
bifurcação, dá a volta, três pulinhos, reza mais um pouquinho e…. pimba! Consolação!!!
Ta-daaaa!”
Fiquei
tão feliz que só faltava sair na abre-alas da Gaviões da Fiel cantando “me dê a
mããããão, me abraçaaaaa, viaaaja comigo pro céééu…..”
Mas, anyway, todo esse relato tragico da minha vida
(alias, não pense que isso acontece comigo raramente, eu tenho uma noção de
direção de merda, me perco toda semana.) serve apenas pra dizer: nunca leve a
vida muito a sério, senão, meu bem, você pira.
E que
diversão teria a vida se você se perdesse no meio da Cracolândia sem gasolina e
ficasse mau-humorada o tempo todo?
Um comentário:
Hahahaha, ler os seus posts me deixa morrendo de saudades suas!!
Bisous
♥
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