4 de fev. de 2010

Minha Vida é Uma Comédia.


Se eu levasse tudo a sério, eu estava fudida.
Ontem fui levar mamãe no Premio Caio, lá na Sala São Paulo. Saímos do trabalho atrasada, pra variar um pouco, num trânsito dos infernos e numa puta chuva… coisa de São Paulo mesmo.
O carro me avisa graciosamente que estava na reserva de gasoline, com aquela luzinha amarela que só falta me deixar cega no painel.
Depois de passar vários farois vermelhos, passar em cima de algumas calçadas e de deixar mami no lugar certo, dei de cara com uma placa “Bom Retiro”.
Ok, ok, Bom Retiro eu conheço, passei 4 anos indo direto lá na época da faculdade. Mentira, aparentemente eu ia pra oooutro lugar completamente, porque me perdi. E fui parar na Rua dos Italianos, depois na Rua São Caetano, na Avenida do Estado (?!), e tudo isso com aquela luzinha da reserva ali no painel, me ameaçando, falando “oolha, aqui, eu vou desligar seu carro todo, hein?”.
Lá estava eu, sem um puto no bolso, numa baita chuva, perdida no meio da Cracolândia com um carro prestes a desligar no meio da rua!
Pensei “Pronto, morri! Mamãe, papai, eu amo vocês e estou prestes a ser abordada por uma gangue que vai tirar o meu rim e vender para a Serra Leoa e eu vou acordar numa banheira de gelo, com um cachorro raivoso olhando pra mim e vou tentar fugir e vou morrer e depois ninguém vai me encontrar e eu vou morrer de novo. Fudeu.”
Eis que, num micromini golpe de sorte, eu acho um posto de gasolina bem xexelento, daqueles que você pede 10 reis de álcool e eles colocam direto da garrafinha de Álcool Zulu. Bom, se eu não morrese no meio da Cracolândia, ia ser ali. Mas o velhinho do caixa não tentou me levar pros fundos e o frentista até que me passou uma cantada decente, então não posso reclamar.
Óquei, carro não tava mais me ameaçando constantemente com a sua luzinha-amarela-dos-infernos, mas ainda tinha um pequeno detalhe a ser resolvido: se eu não soubesse em que direção eu tava andando, daqui a pouco eu ia cruzar a fronteira da Tailândia.
Sabe qual o sinal de que você está muito, mas MUITO longe de onde você pretendia ir em primeiro lugar? Quando você pergunta prum taxista (cara que é OBRIGADO a conhecer essa cidade de cabo a rabo) como você chega na maldita Consolação e ele te olha com cara de ET e fala “iiiiiiih, cê tá longe…..”. Aí, minha filha, é porque você tá fudida mesmo, vai chegar em casa 4 da manhã com cara de louca, descabelada e mais suada que porco em feira, porque você é uma puta duma pão dura e colocou só dez-reais-de-álcool-chinfrin-no-carro-da-sua-mãe.
Mas acho que, FINALMENTE, o meu senso de direção inexistente resolveu dar uma passada pra dar um oi e ver como eu estava indo e eu pensei “beleza, Mariana, vai em frente, direita aqui, esquerda ali, bifurcação, dá a volta, três pulinhos, reza mais um pouquinho e…. pimba! Consolação!!! Ta-daaaa!”
Fiquei tão feliz que só faltava sair na abre-alas da Gaviões da Fiel cantando “me dê a mããããão, me abraçaaaaa, viaaaja comigo pro céééu…..”
Mas, anyway, todo esse relato tragico da minha vida (alias, não pense que isso acontece comigo raramente, eu tenho uma noção de direção de merda, me perco toda semana.) serve apenas pra dizer: nunca leve a vida muito a sério, senão, meu bem, você pira.
E que diversão teria a vida se você se perdesse no meio da Cracolândia sem gasolina e ficasse mau-humorada o tempo todo?

Um comentário:

Isadora Filković disse...

Hahahaha, ler os seus posts me deixa morrendo de saudades suas!!

Bisous